O blim-blim tocou assim que pus meus pés na loja, eu estava só de passagem e uma vendedora irritantemente sorridente veio perguntar o que eu desejava. Naquele momento eu desejei profundamente mandá-la para aquele lugar, foi quando eu vi uma humilde cestinha cheia de penduricalhos, trecos e babados. Aliás, uma parte dela, pois estava tão escondida em meio dos enfeites de sala que mal podia ser visto. - Moça, quanto que custam essas coisinhas?. Sorrindo: - Dois e cinquenta cada peça. E comecei a mecher e fuçar na cestinha velha e um pouco acabada. E lá no fundo, bem lá no fundo eu o encontrei.
Enorme, sujo, um pouco enferrujado, um tanto quanto... peculiar, exótico eu diria. Qualquer outra pessoa o deixaria passar batido, mas eu... Eu me apaixonei. Era um magnífico broche: No centro uma linda pedra oval bordô cintilante, daonde saia algo como pétalas ou lanças - não sei ao certo - todas azul-petróleo, contornadas por um material bem parecido com bronze. Mas o que me conquistou subtamente foram os dois pequenos cordões - vermelho e lilás - de textura macia que saiam de trás da inigualável peça, intrelaçados e unindo-se na ponta por um tipo de anel dourado.
Um instante olhando esse broche foi o bastante para minha ''passagem'' se tornar uma ''compra'': Agarrei o broche com tanto entusiasmo e convicção que quase perfurei minha mão
com a sua agulha enferrujada. Fui até o balcão onde a moça sorridente agora se encontrava, onde escutei: -Olá, o que você deseja?- (De todo coração que você tenha cãimbra facial). Entreguei o dinheiro e a formosa peça a ela, que a pôs num saquinho, que por sua vez foi entregue a mim junto ao troco.O blim-blim tocou assim que minhas mão giraram a maçaneta, e eu sai da loja com a satisfação de finalmente ter em minha posse aquele broche em um saquinho plástico, preto e empoeirado.
Senti que deveria contar.