quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

iô-iô,

bumerang, vai-vem, pendulo, gangorra, gira-gira. não foram feitos para enterter, sim para materializar a expressão "tudo que vai volta", pois não bastaram as amostras abstratas nos golpearem no decorrer da vida. Nada é mutável até que chegue o segundo seguinte. dor-de-cabeça é um bumerang, relacionamento é uma gangorra,
sexo é vai-vem, maldade não passa de um pendulo, bondade puro iô-iô, gira-gira mundo, gira-gigante, gira moinho gira pião, o tempo girou num instante, nos giros do meu coração. (se não era assim, era bem parecido).

A vida vai, a vida volta. as vezes volta com força, outras fraquinha fraquinha. A gente olha a vida regressar fraca, a gente olha o mundo girar fraco. só o que não volta fraca é a dor-de-cabeça.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

e eu quero ver como termina...

essa história linda. Guarda os sapatos na caixa. Tira os sapatos da caixa. Põe os sapatos. Sai pela porta.
E eu quero saber como termina essa história linda.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

cupcake♥.

ao ir na confeitaria eis que se depara com dois bolinhos deliciosamente recheados: um de chocolate e outro de morango.
Você se apaixona repentinamente pelo de morango e quer compra-lo de qualquer jeito. Mas.. não pode. O de morango não quer ser devorado tão cedo, muito menos por você, mas fazer oque? foi por ele que você ficou morrendo de vontade. Você insiste, aguarda mais um pouco pra ver se ele se acostuma com a idéia, até pensa que ele vai se deixar levar, porém ele é muito orgulhoso pra dar o braço a torcer, mas gostou de você msmo assim. Não, não... Você está imaginando coisas.. como pode aquele muffin se deixar levar, de jeito nenhum. sua tolinha.
Enquanto isso, o de chocolate te observa com um óbvio desejo no olhar, e você só dá bola para o de morango. Então você finalmente repara no interesse do de chocolate, que te aceita... do jeito que você é: ele não te desdenha, nem faria você esperar. 'Se quiser, pode me comer', dizem suas pequenas e crocantes gotas de cholate sobre a calda cremosa e meio-amarga. Como poderia? Morrendo de vontade de comer o de morango?? Não, não é uma opção. Aguadarei o de morango até ele achar que está pronto. 'Quanta demora, muffin de morango!'. Percebe que não vai adiantar. As vezes ele demonstra interesse, mas logo mostra desprezo. Ele brinca com você, te manipula, pois sabe que apesar de se derreter por um meio-amargo, não há nada que você trocaria por frutas silvestres. Tola compradora de bolinhos recheados, por que insiste ainda no muffin de morango? Todos os outros iriam prefirir o de chocolate! Aproveite que a confeitaria está vazia, faça a escolha mais fácil! Não seja boba, compradora! 'Acho que tem razão. Comprarei logo o de chocolate... tem razão sim, ninguem compraria o de morango. Mas que culpa tenho eu se ainda me dá agua na boca só de pensar na cobertura cremosa e no ácido e suculento recheio que ele concederia ao meu delicado paladar?'. Acabe logo com isso, a fome já lhe mata! Você caminha até o balcão ao lado e... Espere! alguem chega à confietaria! tarde demais, compradora: seu pequeno muffin de chocolate foi vendido. ficaste agora sem bolinho algum sua boba! é tarde demais e morrerá de fome! 'Mas que culpa tenho eu se mesmo assim continuo babando e lambendo beiços pelo pobre bolinho de morango: ácido... que ninguem compraria... apenas eu, tola compradora de bolinhos recheados.'


mas que coisa não?

domingo, 10 de janeiro de 2010

saudade.

tudo me enche de saudade: a canção, o chapéu, a estação, o papel. tudo me traz a lembrança, e sempre de contra-vontade, quem sabe por vaidade, chega tambem a esperança. Embora seja a outra que triunfe, me conforta fingir que tudo virou música outra vez. Eu danço. Danço para sentir a leveza de uma meia tristeza que parece decolar, e lá quase no alto sente falta do asfalto e retorna, para assistir a dança terminar. Fecho as cortinas e ela repentina vem novamente sufocar, com tanta insensatez que minha própria lucidez se pergunta como a deixou entrar. E cava um buraco que de tão fundo dá medo, e porque sei que lá dentro respira um segredo, regressa a cautela de evitar o mistério. O buraco corrói o peito dando lugar ao frenético que se mistura com o ético e confunde tudo outra vez. Então uma única lágrima insiste em escorrer apenas por saber que de tanto chapéu, de tanto medo, tanto fanático, frenético, segredo, de tanta dança, tanta incerteza, tanta vontade, desejo, vaidade, de tanta lembrança, o que fica é saudade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

interior.

A água está suja, mesmo assim eles insistem em afogar as canelas.
É cedo da tarde por enquanto, e eles continuarão lá até envelhecer, pois a água os fascina. Os sorvetes derretem sobre as mãos ao brincar pelo meio da rua e o som dos vidros sendo quebrados pelas bolas é sempre o mesmo, acompanhado de um grito agudo. Todos sabem que é para correr logo após disso.
Terão desapontamentos. Um deles não entende ao ver o pai sair pela porta, mas consegue sentir o choro baixinho da mãe no meio da noite. Todas as noites;
Terão surpresas. Outro descobre aos poucos as delícias que as noites e os becos escondem, dizem que é perdido na vida. Ele sabe que não;
Terão romances. A filha da vizinha que o obrigava a brincar de boneca agora se preocupa com salto alto e virgindade. O vento canta em seus ouvidos enquanto os dois se beijam na varanda. Os amores de varanda são sempre os mais gostosos.
A água não é mais tão fascinante.
Lá fora os bancos vazios sabem que a cidade não pede nada em troca do silêncio e da calmaria, ela se contenta com certos risos que a agitação não consegue arrancar de nós.
Eu vejo troncos e galhos, folhas e o gramado, uma fonte quebrada que nunca ninguem mandará consertar. Uma andorinha. A cada duas horas um ou outro passa de bicicleta. A calma me agonia de maneira insuportável, ainda bem que há o vento. Agradeço com todas as forças por existir o vento.
Continuo observando, mas agora eles podem me ver, com o mesmo boné virado pra trás e o mesmo papo de "sei-oque-faço".
Não há tempo para pensar no que estão fazendo, mas fazem. Nunca estão saciados, a sede de querer não é o bastante, outra sede vem chegando.
Eles já podem sentir parte da liberdade. Eu vejo o primeiro carro: o vento devora todos eles a 140 km/h. O vento até então é o mesmo, ele não envelhece, porém faz você se dar conta de que você envelheceu. A cidade tambem é a mesma, eles não. Sinto que não se importam por ter mudado e não perceberam que há quem se importe.
Bêbados na madrugada sentados na calçada eles se divertem como se fosse o primeiro dia de farra e tudo fosse novo... não era: era alegre assim quase todas as madrugadas. Aquele está namorando a filha da vizinha.
Os pneus de um carro que passa correndo os banha com a água da sargeta, todos riem - um xinga - e naquele exato momentos têm a certeza de que aquilo é eterno.
Seguem por caminhos diferentes. Ninguem sabe o que aconteceu, suponho que alguns se perguntem ao ver a fonte quebrada, porém nunca nenhum chegou ao ponto de molhar de novo as canelas, eles não têm mais tempo para isso. Não direi que suas vidas se acabaram, pois será mentira... apenas não mudarão mais.
Um deles fez do bar sua casa, não suporta aceitar que aquele tempo se foi, assim como seus amores, assim como seu pai.
Outro ignora o fato de que está totalmente sufocado em dívidas de jogo, dizem que é um perdido, ele tem certeza que não.
Alguns são felizes, alguns nem tanto.
A filha da vizinha tem uma casa pra cuidar agora que está casada. O marido tem 35, está na varanda. O marido tem 65, está na varanda. Está sentado na cadeira de balanço lembrando do seu primeiro beijo, das canelas, do sorvete, da calçada. Chega o vento que chicoteia sua face, e ele aproveita como se tivesse voltado a infância, afinal é o mesmo vento. Junto a ele chega a chuva e a água se torna fascinante novamente.

querido diário,

eu subi em uma árvore hoje :D

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

T. Durden

"Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes.
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas.
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis.
Somos uma geração sem peso na história.
Sem propósito ou lugar.
Nós não temos uma Guerra Mundial.
Nós não temos uma Grande Depressão.
Nossa Guerra é a espiritual.
Nossa Depressão, são nossas vidas.
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock.
Mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato.
E estamos muito, muito putos.

Você não é o seu emprego.
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco.
Nem o carro que dirige.
Nem o que tem dentro da sua carteira.
Nem a droga do uniforme que veste.
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção.

Nós não somos especiais.
Nós não somos uma beleza única.
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo."