terça-feira, 4 de junho de 2013

das coisas que dizem


vou viajar quando me der vontade.
quando a reforma ficar pronta, e o 13º sair.
saio de casa e vou.
mas tem que dar comida pro cachorro
e deixar o namorado.
a vida ta difícil
sou assalariado,
mas a briga nao sacia
a quem um dia teve paz
minha paz era ser livre de mentira.
livre de mentira da mentira.
dizem que um verso é um verso
e que todo mundo faz o que quer
dizem muitas coisas por aí.
dizem que vai chover hoje,
que pegaram sua mulher,
que o preço do feijão subiu,
que a faxina é pra amanhã.
são tantas coisas que dizem que me da preguiça.
A minha paz de volta, é a preguiça que me dá.

poema sobre a cegueira


era um amor sem saber que o era.
antes de nascer, a gente tambem não sabe.
era um amor que nasceu sem saber.
quando a gente sabe, tambem nem ama.

ninguem avisou o dono do bar,
um cego viria mais tarde,
sem saber que era cego,
amar a cachaça com alegria.

e quando todos riam da sua fala mole,
a embriaguez desembaçou seus olhos.
era um milagre. um milagre bêbado.
era uma alma bêbada e cheia de amor.