tudo me enche de saudade: a canção, o chapéu, a estação, o papel. tudo me traz a lembrança, e sempre de contra-vontade, quem sabe por vaidade, chega tambem a esperança. Embora seja a outra que triunfe, me conforta fingir que tudo virou música outra vez. Eu danço. Danço para sentir a leveza de uma meia tristeza que parece decolar, e lá quase no alto sente falta do asfalto e retorna, para assistir a dança terminar. Fecho as cortinas e ela repentina vem novamente sufocar, com tanta insensatez que minha própria lucidez se pergunta como a deixou entrar. E cava um buraco que de tão fundo dá medo, e porque sei que lá dentro respira um segredo, regressa a cautela de evitar o mistério. O buraco corrói o peito dando lugar ao frenético que se mistura com o ético e confunde tudo outra vez. Então uma única lágrima insiste em escorrer apenas por saber que de tanto chapéu, de tanto medo, tanto fanático, frenético, segredo, de tanta dança, tanta incerteza, tanta vontade, desejo, vaidade, de tanta lembrança, o que fica é saudade.
Um comentário:
Caminho em frente pra sentir saudade...
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