sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

E agora, Brasil?
A mata acabou,
a fogueira apagou,
a fauna sumiu,
a vida esfriou,
o escravo sofreu
o sangue jorrou,
o índio se foi,
tudo se foi,
o limite estourou,
e veio política,
e veio o dinheiro,
e veio a desgraça,
e agora, Brasil?
e agora, você?
você que é sem dono,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, Brasil?

Está sem beleza,
está sem bondade,
está sem carinho,
Apenas sozinho
já não pode sorrir,
já não pode sambar,
cantar já não pode,
a vida esfriou,
a sorte não veio,
mas veio a pobreza,
veio a feiúra
não veio a esperança
e Pedro gritou,
e Isabel assinou
e nada mudou,
e agora, Brasil?

E agora, Brasil?
Sua doce Amazônica,
seu instante de glória,
sua fauna e flora,
sua literatura,
suas minas de ouro,
seu rico folclore
sua inocência
seu ódio - e agora?

Se você gritasse,
se você pensasse,
se você tocasse
o samba brasileiro,
se você ouvisse,
se você crescesse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, Brasil!

Sozinho no mundo
Insiste em, sofrer
prefere viver
insiste em lutar
mas você não luta, Brasil.
Apenas ilude
Engana quem pode
engana os pobres
engana os bobos
engana a si mesmo
É teu povo, Brasil!
Tuas raças iguais,
mas sem igualdade,
Sem um jacarandá,
para se encostar,
sem onça pintada
que fuja correndo,
você marcha, Brasil!
Brasil, para onde?

Nenhum comentário: