quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Contorcer-se.

para o bem do outro, por amor, por estigma. Sacrificar-se. por tesão, pela sombra de algo que lhe falta e carregar o peso consigo de fazer acontecer, com medo do confronto, do fracasso, de errar em ser mulher.
Contorcer ao outro... à outra, com a mente, com mãos maciças e opacas o corpo de uma mulher sem rosto, o corpo da mulher feia, camarão, em um jogo sujo e desonesto no qual a presa sente-se passível de punição por pensar-se predadora.
Contorcer esse corpo ao ponto de não fazer mais sentido tê-lo junto a si em um momento íntimo de mais perfeita... agonia.
O corpo de mulher está em conflito(s), em desarmonia, soa doce, melódico, mas machuca, é só ruído, faz um barulho surdo por dentro enquanto se agita se contorcendo.

Ainda tenho dúvidas sobre a importância de sentir-se mulher, sigo pregando que não sei o que é. Sentir as coisas é, imagino, mais importante do que sentir-se uma coisa, definida, protegida da subversão e da dúvida.

Amai teu corpo, contorcido, singelo, manso, revolto, ainda que cause confusão tentar entender do que se trata o corpo, ainda que traga dúvidas. Amai a dúvida acima de todas as coisas.

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