o cheiro do cigarro me traiu um dia
duas mãos desproporcionais envenenaram o que eu chamava de pulmão, e eu fico pensando no cheiro do cigarro. na fumaça que arde ao entrar, na sedução que restou dos anos 50 e em tudo que é inflamável.
o cheiro do café me faz sorrir com mais seriedade, com os pés firmes nos chão. sorrir com maturidade e com a certeza de que não se chora mais nos dias de hoje.
eu tinha um filho:
gerado pelo odor e pela fumaça que se desfez tão rápido quanto a primeira história contada, mas essa ecoa até hoje de tantas tantas formas. eu lembro bem do meu filho, e do rosto que eu queria pra ele.
o cheiro do cigarro me atraiu um dia
e eu me traí nesse dia
a vista turva ainda assim era bonita. a mente poluída pelo escapamento do carro ainda assim me cegava com uma certeza reluzente: a de que um cheiro tão forte assim impregna e mata.
por certo eu esqueceria de alimentar o meu filho, marcada de tantas surpresas e tantas novelas desimportantes, ele seria, por fim, mais um fumante.
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