segunda-feira, 19 de abril de 2010

Patrício, o bode

era uma vez um bode mto mto idoso q se chamva patricio. ele gostava de amoras ao entardecer, mas só das mais azedinhas. porque as doces lembaravam ele de seus amores. ah seus amores! ele não gostava de se lembrar. ficava cabisbaixo. sempre que ousava lembrar dos bons momentos, os ruins domavam-lhe o coração e a memória, entao ele ia para as amoreiras comer amoras azedas com a esperança de q houvesse algo mais amargo qe suas dores. quando sentia sua saliva repuxar sua boca pelo azedo da fruta, seu coração se acalmava.
mas em um belo entardecer, ao acaso olhou para as amoreiras e viu qe as amoras haviam acabado. um desespero repentino tomou seu coração e ele se deu conta de que não apenas seus amores haviam o deixado, mas as amoras tambem. ele queria se lembrar, mas a memória abandonara sua cabeça inóspita de pensamentos.
observando atentamente as amoreiras viu q haviam sobrado apenas amoras doces. aproximou-se lentamente da pequena amoreira e observou seus adocicados frutos. passou pela sua mente em provar um deles... mas depois de tanto tempo apenas saboreando as amoras azedas?
angustiado, ergueu seu nariz e inspirou aquele delicado aroma, nunca havia parado para apreciar a beleza de seu olfato. e estava tão extasiado de fome que quando se deparou novamento com a realidade.. lá estava seu paladar a devorar o novíssimo sabor. paralisado diante de seu inesperado reflexo, ele sentiu, não apenas em sua boca, mas percorrendo seu corpo, algo novo que estranhamente lhe parecia familiar. se lembrou dos bons amores. aqueles que com bondade e alegrias ja haviam participado de sua vida. e se lembrou de como eram suculentamente açucarados.
um sorriso nasceu em seu rosto, talvez um sorriso que poucos seriam capazes de ver. ele podia sentir novamente, não apenas lamentar, podia sentir. as amoreiras, ja acostumadas com a angustia, misantropia e melancolia de Patricio, o bode, se emocionaram. e choraram. suas lágrimas hidrataram suas raízes e naqele pomar de amoras azedas nasceram apenas amoras docinhas daquele dia em diante. e nos dias seguintes, patricio visitou a amoreira com um enorme sorriso estampado no rosto. ja não pensava nos maus amores. ja nao pensava nos bons amores. pensava agora nas amoras, seus novos amores. as amoras, juntamente com patricio, se renovaram e soltavam estridentes gargalhadas ao ver aquele desengonçado bode chegar aos entardeceres. e foram muitos entardeceres, até que o último sol de patricio nasceu no céu.

J&J

Um comentário:

Laura Ribeiro disse...

Que história mais suave :3
Adorei a analogia com as amoras, um doce!